Morada: Praça da Figueira, nº 18-B

Telefone:  21 324 30 00/ 342 44 70

Site:  http://www.confeitarianacional.com/

E-mail:  info@confeitarianacional.com

Fundador: Balthazar Roiz Castanheiro

Proprietário: Rui Viana

Artigos: Pastelaria, casa de chá e restaurante com fabrico próprio. Especialidades: bolo-rei (receita trazida do Sul de França pelo filho do fundador da Confeitaria Nacional, no século XIX, a partir do “Gateau des Rois”), pastéis de nata (receita com mais de 180 anos), africanos, Saint Emillion (à base de amêndoa), coelhinhos, pão-de-ló, chantilly, doce de ovos, amêndoas (as orelhas) e olhos de chocolate.

Decoração:  A Confeitaria Nacional possui fachada enaltecendo os mais de 180 anos da casa, fazendo esquina com a Rua dos Correeiros e corrida a várias montras e portas-basculantes com vidro gravado e puxadores de bronze. Da decoração exterior fazem parte painéis publicitários, gravação em pedra com o nome do fundador e frisos com medalhas conquistadas em vários prémios internacionais ao longo dos anos.

O interior é composto, no rés-do-chão, pela pastelaria, onde se destacam os balcões ondulantes e os armários trabalhados e decorados com vidros gravados e diversos anúncios de época, e o tecto, parte pintado e parte em caixotões espelhados, tudo magnificamente restaurado pelo proprietário actual, Rui Viana. O 1º andar, que, apesar de inaugurado na 2ª metade do século XIX pelo filho do fundador, Balthazar Castanheiro Júnior, era até há poucos anos usado como armazém da vizinha Lanalgo, é usado hoje como salão de chá, tendo os seus tectos também mandados restaurar por Rui Viana, tal como foram recuperadas, depois de descobertas, as pinturas murais de todo o andar.

História: Os ascendentes do fundador já estavam ligados ao negócio de matérias-primas para o sector, pois foram encontrados vários documentos, cujo mais antigo é de 1753, em que apareciam membros da família com esse estatuto. Outro documento data de 1803, no reinado de D. Maria I. Nesse documento Balthazar Roiz Castanheiro é eleito “Juiz mais velho” da Irmandade de Nossa Senhora da Oliveira, Padroeira dos Confeiteiros.  Após a morte de Balthazar Roiz Castanheiro, em 1869, o seu filho mais novo, Balthazar Castanheiro Júnior herdou a empresa. Balthazar Junior primou pela irreverência e pela inovação e logo em 1872 fez com que a Confeitaria Nacional tivesse honras de primeira página no Jornal Diário Ilustrado, ao abrir um salão no primeiro andar, com tamanho requinte, que à época espantou os lisboetas. No jornal pode ler-se: “fundou um elegante salão, com gabinetes esplendidos (…) tudo denunciando um certo bom tom, que, em definitivo, tem ali atraído as primeiras famílias da capital, a quem não foi difícil compreender a utilidade de um estabelecimento que em Lisboa é único no seu género”.

Mas mais do que apenas o cuidado com o espaço, Balthazar Junior quis ver os produtos da Confeitaria Nacional reconhecidos. Em busca desse objectivo mandou vir de Paris e de Madrid mestres confeiteiros que melhoraram a qualidade das especialidades – tanto da doçaria, como das compotas e dos licores de fruta. O prestígio conquistado entre os lisboetas levou a Confeitaria Nacional, em 1873, a pedir o estatuto de fornecedor da Casa Real Portuguesa, declarando ter “bom crédito e reputação comercial”. O estatuto foi-lhe concedido por alvará do Rei D. Luis I. Balthazar Júnior foi percursor da Doçaria Romântica em Lisboa. Nos anos que se seguiram a Confeitaria Nacional conquistou diversos prémios em exposições internacionais internacionais (1873 Viena de Áustria; 1876 Filadélfia; 1878 Paris e 1884 Lisboa).

Em 1913, Rafael Castanheiro Viana, o bisneto do fundador, assumiu o negócio, também com uma visão inovadora – querendo deste logo promover a Confeitaria Nacional nos meios publicitários e jornalísticos da época, encomendando em 1940 um novo logótipo estilizado, que marcou o seu período de gestão e que ainda hoje serve de inspiração ao actual logo da Confeitaria Nacional. Também em 1940, a Confeitaria Nacional viu reconhecida a sua importância pública para a história da cidade quando lhe foi entregue pelo Presidente da República Marechal Carmona, em sessão solene, o diploma de Casa Centenária da Associação Comercial de Lisboa, sendo ainda hoje fornecedora da Presidência da República.

Decorridas seis gerações, a mais antiga Confeitaria de Lisboa continua a pertencer à família do fundador Balthazar Roiz Castanheiro.

Protecção: Encontra-se Em Vias de Classificação, consta do Inventário Municipal anexo ao PDM (nº 48.07), está inserida na Lisboa Pombalina classificada Conjunto de Interesse Público (2012) e abrangida pelo Programa Lojas com História (2017)

Curiosidades: O fundador foi autor de um livro de receitas em 1852. Foi na Confeitaria Nacional que foram instalados os primeiros telefones de Lisboa, entre a sua fábrica e a Confeitaria. Mais tarde, depois de constituída a Companhia dos Telefones, foi entregue a essa Companhia a sua conservação e ainda hoje se mantém esse telefone privativo, com um número simbólico, sem ligação para a rede.

O escritor Gervásio Lobato, cliente dos mais habituais, terá passado dias a escrever as suas peças de teatro na confeitaria, servindo esta na “Comédia do Teatro” de cenário a uma cena pitoresca de galanterie lisboeta. A Confeitaria Nacional tem servido de cenário também para vários filmes, desde logo para os dos cineastas Manoel de Oliveira e João Botelho.

Horário de funcionamento: Aberta de 2ª Feira a Sábado das 9h às 19h.

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