Morada: Rua do Loreto, nº 24-30

Telefone: 21 342 72 84

E-mail:  farmaciabarretolda@gmail.com

Proprietário: José Pedro Graça da Silva

Artigos: Fármacos e artigos farmacêuticos.

Decoração: Mobiliário em madeira de cerejeira na sala de atendimento (antigamente, a “sala de espera”), composto de estantes-armários em gosto romântico-revivalista, candeeiros de bronze, faiança francesa (1880), relógio e tecto em moldura de gesso. Guarda e expõe material antigo em várias salas a tardoz, com realce para a sala da estufa, a “sala de quarentena”, a sala de manipulação, a sala do “segredo” (onde era produzida a fórmula) e a casa-forte do álcool, onde existem, um pouco por todo o lado balanças antigas, uma infinidade de frascos e rótulos de antanho, máquina-registadora notável. Mantém o antigo consultório médico, restaurado e noutro local. Montra em cantaria.

História: Desconhece-se quando terá aberto uma farmácia neste exacto local, e se é verdade que ali funcionou uma botica no século XVIII. O que se sabe de facto é que a Farmácia Barreto passou por vários proprietários até aos dias de hoje, deve o seu nome a Carlos Garcia Barreto (fundador da Sociedade Farmacêutica Lusitana, em 1834) e antes de ser Farmácia Barreto foi Farmácia Francesa, conforme consta em anúncio de 1888: “Antiga Farmácia Francesa, Farmácia Barreto – Silva & Tedeschi”, sendo os apelidos Silva e Tedeschi de Caetano José da Silva e Luís Maria e Maria Mendes Tedeschi, respectivamente, seus proprietários até inícios do século XX. Em 1912, a posse da farmácia passa, sucessivamente para João Vicente Ribeiro Júnior, António Carrilho e a sociedade Oliveira & Carrilho (1922), Manuel Joaquim de Oliveira (1925), Alina Marques Bagorra (1960) e, desde 1986, José Pedro Graça da Silva, que a comprou por amor à primeira vista.

Protecção: Consta do Inventário Municipal (nº 15.51) anexo ao PDM e está inserida na Lisboa Pombalina classificada Conjunto de Interesse Público (2012) e no Bairro Alto classificado Conjunto de Interesse Público (2010).

Curiosidades: O Grémio Alentejano, percursor da Casa do Alentejo, está intimamente ligada à Farmácia Barreto, na década de 20 do século XX, por intermédio de António Carrilho, seu proprietário, que foi fundador daquele grémio, reunindo-se este algumas vezes na farmácia. Sob a propriedade do tenente-coronel e farmacêutico Manuel Joaquim de Oliveira, a Farmácia Barreto albergou um laboratório farmacêutico, à guarda do prof. Costa  Simões (mais tarde ele viria a fundar o Laboratório LAB), que funcionaria até à década de 60; mas também albergou conspiradores e impressão de propaganda anti-salazarista, cuja prensa ainda existe na farmácia, o que levaria ao degredo de Manuel Joaquim de Oliveira para África, donde regressaria em 1960, debilitado e com a farmácia crivada de dívidas. E foi uma das filhas dos credores, Alina Marques Bagorra, filha do dono de uma drogaria na Praça Luís de Camões e de várias lojas em Lisboa, que haveria de comprar a Barreto, mantendo a farmácia intocável até 1986, altura em que a vende a José Pedro Graça da Silva, que continuou e continua a pugnar por manter a identidade histórica e decorativa da Farmácia Barreto, desde logo o seu património móvel, apostando forte no comércio de proximidade. Curiosamente, Alina Marques Bagorra, já depois de vender a farmácia a José Pedro Silva, continuou a deslocar-se diariamente à farmácia, onde atenderia o público durante largos meses graciosamente. O Museu da Farmácia conta com variado e valioso espólio da Barreto, doado pelo actual proprietário, com relevo para faiança, rótulos e uma mesa de manipulação com 2 metros de largo e tampo de mármore (o último lote a ser manipulado na farmácia foi-o pelo Dr. José Pedro da Silva).

Horário de funcionamento: Aberta de 2ª Feira a 6ª Feira das 10h às 19h. E Sábado das 10h às 13h.

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