Morada: Rua das Portas de Santo Antão, nº 7

Telefone: 21 346 82 31

E-mail: ginjasemrival@gmail.com

Artigos: Esta licoraria produz e vende a célebre ”Ginjinha Sem Rival” (com ou sem ginja) e o licor “Eduardino”. Abastece outras casas de Lisboa, como a Tendinha do Rossio. Vende também capilé e groselha.

Fundador: João Lourenço Cima

Proprietário actual: Herdeiros de João Lourenço Cima

Decoração: Fachada sóbria com montras a ferro e réclame a vidro pintado. O interior é Art Déco, forrado a mármore, balcão incluído (com tampo em madeira), e tem tecto com friso decorativo. A loja está intacta desde a sua origem, tendo como únicas alterações a introdução de uma casa-de-banho para os funcionários. A loja possui fábrica no Beato, onde irá montar em breve um show room e para onde se deslocou desde a Calçada do Garcia, ao Martim Moniz, local onde ainda mantém alguns cascos e tonéis.

Protecção: Consta do Inventário Municipal (nº 31.91) anexo ao PDM e está inserida na Lisboa Pombalina classificada Conjunto de Interesse Público (2012)

História: Não havendo dados concretos sobre a data de fundação da casa, muito por culpa das cheias que têm ocorrido na rua ao longo dos anos, que destruíram a quase totalidade da documentação existente, tudo aponta para que a Ginjinha Sem Rival já existisse em 1890, graças a um álbum de fotografias encontrado no antigo Restaurante Magina, que também era dos mesmos proprietários, e a um antigo livro do “deve e haver”, em que aparece um registo escrito pelo punho do bisavô de Nuno Gonçalves (ele é a 4ª geração de fabricantes de ginja) com a frase “Francisco Espinheira deve-me 10 garrafas, 1890”. João Lourenço Cima morre em 1925 e os seus dois filhos ficam com o negócio. Hoje, é com esmero, dedicação e uma gestão moderna que a Ginjinha Sem Rival continua a ser ex-libris de Lisboa, e até as garrafas antigas voltaram a estar à venda com os preciosos líquidos, incluindo no famoso formato de “frasco de farmácia”.

Curiosidades: Histórias verbais que passam de geração em geração, dão conta de que o bisavô Cima trabalhava na congénere de Francisco Espinheira, com quem se zangou, talvez por aquele querer que se casasse com a sua filha única, acabando por abrir uma outra casa de ginja bem perto, com 9 licores.

O licor “Eduardino” deve o nome a um palhaço italiano (ou catalão) muito popular à época, Eduardo (por sinal bastante parecido com o palhaço do rótulo da garrafa), que actuava no Coliseu e, diz-se, foi inventor do dito ao misturar ginja com anis e/ou vários licores, numa das suas muitas idas à ginjinha, antes do espectáculo, como forma de se descontrair (há outros que dizem que o  terá feito logo depois de um espectáculo), mistura que terá agradado de tal maneira ao Sr. Lourenço Cima que logo o passou a comercializar com o nome de “Eduardino”.

O prédio onde se encontra a loja foi propriedade do actor Vasco Santana, e era comum ver-se a jovem Amália Rodrigues, ainda descalça, vendendo limões à Ginjinha Sem Rival. Do mais pobre ao mais rico, do mais anónimo à maior celebridade, todos são clientes da casa, ainda que haja muito motorista a substituir este ou aquele cliente mais rico. Do teatro ao cinema e a televisão (Bryan Cranston, actor principal da série norte-americana “Breaking Bad”, esteve há pouco tempo a beber ginjinha) a escritores como José Eduardo Agualusa e José Luís Peixoto.

Nuno Gonçalves tem desde menino uma paixão pela casa e por ginjinha, do tempo em que ali ia com a mãe o avô lhe dava embrulhos com ginjas. A família deu-lhe há 3 anos, a ele e a seu primo, a gestão da loja. Brevemente, vai ser possível voltar a saborear a ginginha sem rival nos tradicionais copos de vidro, desde que quem o faça os compre também.

Horário de funcionamento: Aberta de 2ª Feira a Sábado das 7h às 24h.

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